A ideia inicial era um belo fim-de-semana na zona do Norte Alentejano, lá para os lados de Avis...mas se partimos na sexta-feira depois do almoço, no sábado já jantámos em casa!
Tínhamos decidido que não queríamos andar muito de carro, pois na semana seguinte íamos ter de fazer muita estrada por força do trabalho. Já por isso ficámo-nos pelo Norte do Alentejo...
Depois de descermos do Gavião por uma zona que não conhecíamos, finalmente viémos ter a Avis, a terra que tínhamos escolhido por ficar perto da albufeira enorme da barragem do Maranhão, por não ficar longe de Alter do Chão, onde queríamos visitar a Coudelaria, por até nem estar muito longe da Serra do Marvão e da de S. Mamede (onde nunca tínhamos ido juntos), por nessa zona vermos indicada no mapa a presença de vários monumentos pré-históricos e monumentos da civilização romana, por ser mais para sul do que a Gardunha...enfim, prometia e nós íamos cheios de vontade de ver isso tudo. Mas quando chegámos a Avis começou o rol de enguiços..
Dirigimo-nos ao Posto de Turismo e lá ficámos a saber que tínhamos 3 locais disponíveis para alojamento: uma pensão e duas residenciais "entre os 20 e os 30 euros", disse-nos a simpática senhora. Os Agro-turismos e os Turismos em Espaço Rural ficavam todos entre os 60 e os 90 euros. Riscados.
Bom, então lá nos restavam as três hipóteses. Começámos pela que nos tinha sido indicada como melhor. Uma residencial: 40 euritos, sem cama de casal - só duas camas, e só dava para uma noite, pois na seguinte vinham aí os gajos dinamarqueses do remo e esses ficavam uma semana...obrigado, vamos à próxima hipótese! Uma pensão que ficava já mais perto do centro histórico de Avis. Daquelas que ficam por cima dos cafés dos donos. Pois aquilo não era um café, mas um tascum, daqueles em que uma pessoa entra e é só homens a falar muito alto, um forte cheiro a tabaco misturado com mofo e lexívia e uma escuridão adequada (seria para poupar electricidade?). Bom, mas eu não ía à procura de tascas, mas sim de quartos e uma réstia de optimismo dizia-me que lá por tudo aquilo ser verdadeiramente desanimador não queria dizer que por cima não estivessem quartos asseados, com condições pelo menos mínimas...morreu-se-me o optimismo ao olhar para o que o senhor me mostrou. Nem pelos 20 euritos!! Numa divisão minúscula estava uma cama de casal que parecia uma pista de motocross, tal eram os altos e baixos à vista, e como não cabia mais nada no quarto, a TV (daquelas que acho que já vi em parques de campismo, naqueles grupos familiares que levam a casa toda às costas mas que compram uma televisão especialmente para quando vão acampar, daquelas em que só se vê com um grande esforço ou uma bela lupa) estava pendurada junto ao tecto, e aquecimento? Ah, isso nem sequer havia, nem um a óleo nem nada! Ora, quando duas noites antes tínhamos tido uma temperatura de -6ºC na Gardunha, apesar de o Norte Alentejano ser mais para sul, não deixa de ser um gelo no Inverno..."Muito obrigado, mas deixe estar!". E agora só nos restava mais uma residencial.
Quando a vimos nem sequer tentámos entrar. Era daquelas de beira de estrada nacional, isolada, com snack-bar por baixo e um aspecto muito duvidoso...como se não bastasse, estava fechada "para descanso do pessoal". Neste momento já me apetecia chorar. "Mas que azar era aquele?", pensava eu. Pronto, vamos perder a cabeça e o dinheiro e vamos para um desses turismos rurais. Estavam todos cheios "por causa de uns dinamarqueses que vêm para cá remar..."!
Mas que PIIII de PIIII!! E agora?